Publication: Arquipélagos em Diálogo, VI Seminário Internacional AEAULP
Authors: Francesca Vita, Leonor Matos Silva
Editors: Pedro Rodrigues, Ljijana Čavić and Hugo L. Farias

Date: 2026


Estaleiro de obra das casas do Bairro-piloto de trabalhadores em Brá, Bissau (1978). Colecção privada de Milanka Lima Gomes.
Produção de blocos de terra estabilizada “nô cumpu”, Bairro-piloto de trabalhadores em Brá, Bissau (1978). Colecção privada de Milanka Lima Gomes.

Summary

Depois da independência de Portugal em 1974, a Guiné-Bissau iniciou um período de construção do recém estado-nação durante o qual a arquitectura e a construção civil ganharam protagonismo. Apoiados pela cooperação internacional, os esforços pós-independência assistiram à formação de equipas, ou “brigadas” técnicas e de construção multidisciplinares nas quais a arquitecta Milanka Lima Gomes, desempenhou um papel crucial. Este artigo examina o papel da arquitecta servo-guineense Lima Gomes, primeira Directora Geral de Planificação Urbana e Projectos (1974-1991), com cerne de uma rede única de profissionais, homens e mulheres dedicados à construção da nação pós-independência, onde a arquitectura, a política, e as alianças internacionais se cruzaram. Através da recolha de fontes primarias, este estudo destaca, o papel de Lima Gomes na coordenação das referidas “brigadas” e delineia pela primeira vez os actores que nelas participaram, as suas trajectórias e os sistemas de apoio e mútua influência que estes técnicos criaram enraizados na solidariedade e alinhados com os ideais políticos do Estado recém soberano. Os cooperantes, politicamente empenhados, muitas vezes vistos como uma elite, criaram laços no seio das suas “brigadas” bem como nas comunidades locais, fundindo a colaboração profissional com o empenho partilhado no crescimento da nação.


[Eixo temático: 4. Contaminações e transversalidades]

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