Publication: Arquipélagos em Diálogo, VI Seminário Internacional AEAULP
Authors: Fernando Pires
Editors: Pedro Rodrigues, Ljijana Čavić and Hugo L. Farias

Date: 2026


Áreas mais povoadas da Ilha de São Nicolau. Intervenção sobre pormenor da carta de António Carlos Andreas (c. 178.). Biblioteca Pública Municipal do Porto, Pasta 24. Figura 30.
Áreas mais povoadas da Ilha da Boavista. Intervenção sobre pormenor da carta de António Carlos Andreas (c. 178.). Biblioteca Pública Municipal do Porto, Pasta 24. Figura 29.

Summary

O processo de construção e estruturação do território em Cabo Verde ocorreu de forma lenta e desigual. Essas caraterísticas confirmam a dificuldade em desenhar os seus contornos, sobretudo pela sua longa temporalidade, quase quatro séculos, e também pela natureza cíclica que o acompanha. Os ciclos de povoamento e ocupação das ilhas estão correlacionados com as diferentes fases da história do arquipélago e com a estreita ligação que se estabelece em cada uma delas com as sucessivas transformações da sociedade cabo-verdiana, de escravocrata em camponesa. Nestes ciclos, irromperam cidades, vilas e povoações que organizaram, estruturaram e modelaram o território. São elas os núcleos a partir de onde se estabeleceu um diálogo contínuo entre as ilhas levantando questões relativas à própria identidade do arquipélago, que sucessivamente se reconfigurava. Neste artigo, pretende-se trazer para a discussão este processo e clarificar os interstícios da formação e estruturação do território em Cabo Verde, tendo em conta os diferentes agentes e temporalidades das transformações do território, onde se incluem europeus, africanos e a população já nascida nas ilhas. A intenção é afastar-se da forma tradicional de leitura do processo, em que o foco prioritário são os núcleos urbanos do litoral, invertendo o olhar para o interior.


[Eixo temático: 9. Cidade e território, (in)formalidades e temporalidades.]

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